"Sim, vim direto de Minorca." "Pô", exclamou Harry, "sei lá um pouco sobre aquele tal de Dedo no Gatilho, mas é uma pequena recompensa que eles receberiam pelo sofrimento se me amarrassem e tentassem me torturar, e eu vou te dizer o porquê, tchau. A coisa voltou para o Spencer. Eu mesmo carreguei na carroça do Joe Scraff, não faz mais de uma hora. A caixa com as peles de raposa preta e duas grandes garrafas de uísque. Mandei tudo de volta, tchau, com os cumprimentos de você e de mim. Mas agora vai estar lá, e o coração do Caleb deve estar batendo forte de alegria ao recuperar todos os seus pertences roubados. Fiz certo, espero agora, em voltar com tudo?", concluiu.!
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O Capitão Weaver cumpria as instruções recebidas na Cidade Velha do Porto. Ele perseguia o Minorca. A recuperação de Lucy não alterara essas instruções. Embora o Capitão Acton, em sua gratidão pela recuperação de sua filha, estivesse disposto a abandonar a perseguição e deixar o Minorca e o belo pirata canalha que havia partido com ela e Lucy à própria sorte, ele não revelara seus pensamentos ao Capitão Weaver, nem ao Almirante, e o Aurora, àquela hora da aurora de um dia de junho de 1805, avançava firmemente em perseguição à barca que deveria capturar. O Capitão Weaver não sabia exatamente como. Pois o Aurora estava desarmado, enquanto o Minorca montava quatro peças de artilharia e comandava um espírito de luta naturalmente desesperado e destemido, cujo pescoço certamente seria quebrado pelo carrasco se fosse capturado: a menos que sua tripulação se voltasse contra ele, recuasse suas vergas e parasse o navio, para que seu dono pudesse vir por conta própria, apesar da pistola apontada do Sr. Lawrence ou de quaisquer ameaças que ele pudesse fazer em relação ao paiol de pólvora. "Mas", pensou o Capitão Weaver em várias ocasiões, "tempo suficiente para saber o que vai acontecer quando içarmos o Minorca à vista ou nos aproximarmos dele, pois quem pode dizer se não o perderemos, e nesse caso o receberemos no Rio, desde que seu capitão não tenha nos farejado e mudado seu hellum para outro porto, e então não haverá mais carronadas de um lado e velas aparadas para nos mantermos longe dos tiros do outro." Lucy ficou um tanto intrigada com o Sr. Lawrence. Seu comportamento era frio, cavalheiro, distante, cauteloso, inteiramente sóbrio, e, na maior parte do tempo, ele se expressava com alto grau de inteligência. Ela não conseguia deixar de se lembrar de que, pela manhã, quando, com certeza, se poderia dizer que ele estava "dominado pelo vinho e pela insolência", ele, com uma paixão que certamente não emprestou nada do calor da bebida, colheu uma margarida e pediu que ela a levasse aos seus doces lábios e a devolvesse, e então escondeu a pequena flor no bolso como o único tesouro sagrado que possuía. Naquela noite, sua postura era, no geral, tão formal e contida como se ela fosse apenas uma conhecida em cuja companhia ele pudesse sentar-se sem se deixar dominar por seus encantos. A paixão da manhã foi genuína e sincera, com ou sem bebida; o comportamento daquela noite foi calculado e extraordinário. Talvez, à delicada luz das velas, ela não conseguisse captar cada expressão dos olhos, cada movimento da boca, cada sombra de mudança na expressão de todo o rosto, de modo que ela imaginaria, com razão, ter perdido, devido à iluminação defeituosa, o olhar apaixonado, o rápido desenho em êxtase dos traços que sua intuição de donzela lhe dava, eloquente e convincentemente, para saber que deviam ser a homenagem secreta de seu coração, por mais que ele mascarasse seu rosto bonito e cansado como quisesse.
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"Ah, se pensássemos em uma viagem às Índias Ocidentais, não escolheríamos o Minorca", disse o Capitão Acton. "Confesso que às vezes eu mesmo tive vontade de explorar um ou dois dos antigos portos dos quais me lembro como aspirante. O Aurora seria o navio ideal. Ele tem uma velocidade que me tornaria indiferente à perseguição. Ao mesmo tempo, há sempre o risco de captura, e como não posso mais servir ao meu país correndo o risco de uma prisão francesa, acredito que sou discretamente aconselhado a deixar tudo em paz, isto é, até que a paz chegue, se é que algum dia chegará. Esta não é uma cabine muito boa, Lucy, considerando o tamanho do navio?" "Não posso, senhora, está trancada", e para provar sua segurança, Pledge girou a maçaneta e sacudiu a porta. A voz embargou e uma lágrima caiu na mão fechada em seu colo.
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